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Os
Frades Menores Capuchinhos tem sua origem nos meados do século
XVI. Para entendermos o seu surgimento vamos aos primórdios
da história franciscana.O movimento franciscano teve como
protagonista S. Francisco de Assis que nasceu no ano 1182 e era
filho do comerciante Pedro Bernadone, que lhe trocou o nome de
batismo, João por Francisco. Depois de uma juventude alegre
e mais ou menos descompromissada, com a idade de 25 anos, sente-se
tocado pela profunda experiência de Deus. Um dia enquanto
rezava diante da imagem do Crucificado, na igrejinha, em ruínas,
de S. Damião, sentiu dentro de si um forte chamado: "Francisco,
vê e reconstrói a minha igreja". Logo em seguida
rompe com o seu pai e renuncia tudo o que tinha diante da presença
do Bispo. Durante três anos, mendigando o sustento e tido
como louco, dedicou-se a reconstruir igrejas nas mediações
de Assis, até que um dia, em 1209, ao escutar a leitura
evangélica da missão dos discípulos, descobriu
sua vocação definitiva: "viver segundo a forma
do santo Evangelho". Abandonou o traje de peregrino, que
até então havia usado, e apresentou-se vestido de
uma túnica simples, cingido com uma corda, e com os pés
descalços, anunciando o Reino de Deus e convidando à
conversão. Foi nessa ocasião que se juntaram a ele
os primeiros "companheiros", dispostos a compartilhar
a mesma vida: Bernardo de Quintavalle, Pedro Cattani, Gil de Assis...
O primeiro grupo que se uniu a Francisco tomou consciência
de si mesmo e do compromisso evangélico, alojado no rústico
abrigo de Rivo Torto; logo organizou a primeira saída apostólica.
Rapidamente a fraternidade dos pobres voluntários foi aumentando
com novos companheiros. Quando Francisco achou que o grupo havia
entendido suficientemente o sentido da aventura evangélica,
mediante a experiência da oração e das privações
da pobreza, organizou a primeira missão formal. Dois a
dois, marcharam por várias regiões da Itália,
pregando e mendigando o sustento. Os sofrimentos que tiveram de
suportar, nesta primeira saída, foram a primeira grande
prova dos novos arautos da penitência. Francisco os consolava
freqüentemente, durante esta penosa etapa inicial, com a
visão otimista de que, com o passar do tempo, um grande
número de homens de toda classe social e de toda nação
se uniriam a eles.
A
Ordem, já com muitos frades, aos poucos vai criando divisões
de grupos entre eles os mais conhecidos, conventuais e observantes,
mas num grande leque de observâncias. Entre as grandes reformas
nascidas no interior da Observância, consta a capuchinha,
embora se apresente com características diversas e singularmente
próprias. Seu iniciador e precursor involuntário
foi frei Mateus de Bascio, um observante das Marcas que, desejoso
de seguir S. Francisco na vida de pobreza, na pregação
itinerante e na própria maneira de vestir, fugiu do convento
de Montefalcone para ir pedir ao papa essa autorização.
Tudo deixa entender que a conseguiu, mas apenas oralmente, sem
um documento que desse fé, e isto o deixou em maus lençóis.Voltando
às Marcas, seu provincial, João de Fano, o encarcerou
como apóstata no convento de Forano. Tudo isto acontecia
nos primeiros meses de 1525. Foi libertado do cárcere por
intervenção da duquesa de Camerino, Catarina Cybo,
que tivera ocasião de admirar a sua caridade no serviço
aos doentes durante a peste de 1523. A ele se apresentou, no verão
de 1525, o frei Ludovico de Fossombrone que, junto com seu irmão
de sangue, frei Rafael, queria associar-se a ele no estilo de
vida empreendido. Mas Mateus não os acolhe, porque não
tinha faculdade para isso e, quem sabe, também porque os
dois Fossombrone pensavam em levar uma vida eremítica morando
num lugar solitário, e não em viver sem morada fixa,
como era intenção de frei Mateus.
Os
dois primeiros documentos da Santa Sé referentes aos iniciadores
da reforma capuchinha são da primeira metade de 1526; com
o primeiro, de 8 de março, o papa ordena a captura dos apóstatas
Ludovico, Rafael e Mateus; com o segundo, de 18 de maio, o cardeal
Lourenço Pucci autoriza os mesmo frades a viverem independentes
dos superiores da Observância, sob a proteção
do bispo de Camerino. Foi o que fizeram Ludovico e Rafael, finalmente
livres para viver num eremitério "pobrezinho" ,
o de são Cristóvão de Arcofiato, a cerca de
três quilômetros de Camerino. Aí Ludovico amadureceu
o projeto de dar vida a uma nova reforma franciscana, enquanto estava
todo entregue ao serviço de Deus, e também dos homens,
ao menos durante o flagelo da peste que se abateu sobre Camerino
pela metade de 1527. Catarina Cybo e Ludovico encontraram-se com
o Papa Ludovico, em seu nome e no de seu irmão natural frei
Rafael, apresentou ao papa uma humilde súplica em que pedia
para:
a) usarem
a barba e o hábito que vestiam;
b) poderem viver em lugares solitários sob a proteção
dos conventuais, cujo ministro os pudesse visitar uma vez por ano
e ao qual eles também deveriam cada ano apresentar-se;
c) poderem eleger um custódio;
d) poderem receber quem quer que fosse, clérigos ou religiosos
de qualquer Ordem. Inicialmente os novos reformadores foram chamados
de "frades menores de vida eremítica".
Mas
por breve tempo, pois a partir de 1531, o mais tardar, vai ganhando
campo a denominação de "capuchinhos" primeiro
como "fratres a scapucino" (frades de capuz relativamente
pequeno, que os distinguia dos observantes e dos conventuais) ,
passando depois à forma mais simplificada de "frati
cappuccini".

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